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Síndrome de Burnout: quando o trabalho adoece a mente

15 de dez. de 2025
LM
Luciana Manzoli Parangaba
Síndrome de Burnout: quando o trabalho adoece a mente

"Eu não consigo mais." Essa frase, dita em tom de exaustão e desesperança, tem se tornado cada vez mais frequente nos consultórios de psicologia. A Síndrome de Burnout — ou síndrome do esgotamento profissional — não é apenas cansaço. É um adoecimento real, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que surge como resultado de um estresse crônico no trabalho que não foi adequadamente manejado.

O Brasil está entre os países com maiores índices de Burnout no mundo. A cultura da hiperproduividade, a romantização do excesso de trabalho, a pressão por resultados e a dificuldade de estabelecer limites entre vida pessoal e profissional criam um terreno fértil para o adoecimento. Profissionais de saúde, educação, tecnologia, segurança pública e áreas corporativas estão entre os mais afetados, embora o Burnout possa atingir qualquer pessoa.

Os sinais de alerta incluem: cansaço que não melhora com o descanso, dificuldade de concentração, irritabilidade desproporcional, distanciamento emocional do trabalho e das pessoas, insônia ou sono não reparador, dores físicas sem causa aparente (cabeça, estômago, musculares), sensação de fracasso e incompetência, perda de propósito e, em casos graves, crises de ansiedade e depressão. Muitas vezes, a pessoa só percebe que está adoecida quando o corpo dá sinais mais intensos — uma crise de pânico, uma queda de imunidade persistente ou uma incapacidade de sair da cama.

A psicanálise oferece uma compreensão singular sobre o Burnout, indo além dos fatores organizacionais e explorando a dimensão subjetiva do adoecimento. Por que certas pessoas adoecem e outras não, mesmo em condições semelhantes de trabalho? A resposta está na história singular de cada sujeito. Muitos pacientes que desenvolvem Burnout possuem um funcionamento psíquico marcado pela necessidade de reconhecimento, dificuldade em dizer "não", identificação excessiva com o papel profissional e culpa associada ao descanso e ao prazer.

Essas características, frequentemente, se conectam com experiências da infância — crianças que precisaram ser "perfeitas" para receber afeto, que aprenderam que seu valor estava no que produziam e não no que eram, ou que internalizaram a mensagem de que descansar é sinônimo de preguiça. Na vida adulta, esses padrões inconscientes se manifestam como uma entrega desmedida ao trabalho, como se a sobrevivência emocional dependesse de estar sempre produzindo.

O processo terapêutico permite que o paciente compreenda essas dinâmicas, reconheça seus limites sem culpa e reconstrua uma relação mais saudável com o trabalho. A terapia não propõe que a pessoa deixe de ser dedicada ou competente, mas que encontre um equilíbrio sustentável, onde o trabalho seja fonte de realização e não de adoecimento.

Se você sente que está no limite, que perdeu o prazer naquilo que faz ou que o trabalho está consumindo sua saúde e seus relacionamentos, não espere o corpo pedir socorro. Buscar ajuda profissional é um ato de coragem e de cuidado consigo mesmo. A recuperação é possível — e começa pelo reconhecimento de que você é mais do que aquilo que produz.

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