Voltar para publicações

Autossabotagem: por que você impede seu próprio sucesso?

28 de nov. de 2025
LM
Luciana Manzoli Parangaba
Autossabotagem: por que você impede seu próprio sucesso?

Você já esteve prestes a conquistar algo importante e, de repente, fez algo que arruinou tudo? Já se perguntou por que, nas vésperas de uma prova, entrevista de emprego ou momento decisivo, surge uma procrastinação inexplicável, um esquecimento crucial ou um comportamento autolesivo? Essa experiência, mais comum do que imaginamos, tem nome: autossabotagem.

A autossabotagem é um conjunto de comportamentos, pensamentos e atitudes que, de forma inconsciente, nos impedem de alcançar nossos objetivos. Ela pode se manifestar de inúmeras formas: procrastinação crônica, perfeccionismo paralisante, medo de sucesso, abandono de projetos quando estão prestes a dar certo, escolhas repetidamente ruins em relacionamentos, excessos (alimentares, de álcool, de compras) nas vésperas de momentos importantes, e uma voz interna que constantemente diz "você não merece" ou "você não é capaz".

Sob o olhar da psicanálise, a autossabotagem não é um defeito de caráter ou falta de disciplina. É um sintoma — uma formação do inconsciente que denuncia conflitos internos não resolvidos. Freud nos ensinou que o aparelho psíquico é atravessado por forças contraditórias: de um lado, o desejo de prazer e realização; de outro, a culpa, o medo e a repetição de padrões dolorosos. Quando esses conflitos não são elaborados, o sujeito fica preso em um ciclo no qual, conscientemente, quer avançar, mas inconscientemente, se impede.

Um conceito central para entender a autossabotagem é a compulsão à repetição. Muitas pessoas cresceram em ambientes onde o sucesso era seguido de punição — seja porque os pais reagiam com inveja, indiferença ou cobrança ainda maior. Nesses casos, a criança internaliza a mensagem de que ser bem-sucedido é perigoso, e na vida adulta, reproduz essa dinâmica, "estragando" suas conquistas antes que elas provoquem a temida consequência.

Outro aspecto importante é o sentimento inconsciente de culpa. O superego — a instância psíquica que carrega as normas, valores e proibições internalizadas — pode ser extremamente rígido e punitivo. Quando o sujeito sente, inconscientemente, que não merece o sucesso, o prazer ou a felicidade, ele cria situações que confirmam essa crença, punindo a si mesmo sem perceber.

A questão narcísica também é relevante. A autossabotagem pode servir como proteção contra a exposição: se eu não tento verdadeiramente, não posso fracassar de verdade. É uma forma inconsciente de preservar uma imagem idealizada de si, evitando o confronto com as próprias limitações reais.

O trabalho psicanalítico com a autossabotagem é profundo e transformador. Na terapia, o paciente é convidado a investigar os padrões que se repetem em sua vida, compreender as crenças inconscientes que sustentam esses comportamentos e, gradualmente, construir novas formas de se relacionar com o sucesso, o fracasso e consigo mesmo. Não se trata de uma mudança rápida, mas de uma transformação genuína que permite ao sujeito viver com mais liberdade e menos amarras invisíveis.

Se você percebe que seus maiores obstáculos parecem estar dentro de você, que repete padrões que não compreende ou que se sente preso em um ciclo de "quase conseguir", a psicoterapia pode iluminar aquilo que você ainda não consegue ver. O primeiro passo para parar de se sabotar é aceitar que há algo a ser compreendido — e você não precisa fazer isso sozinho.

Gostou deste conteúdo? Entre em contato!

Fale comigo no WhatsApp